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30/06/2011

13 de Maio - Riachão

Treze de Maio
É um dia muito bonito
A Congada se reuni
Prá festejá São Benedito

E a Rainha
                      Com a bandeira na mão
                  Reza pra Santa Isabel
               Que deu a libertação

Santa Isabel
É uma Santa milagrosa
Libertou a escravidão
Por ser muito caridosa

À meia-noite
                 A Festa vai terminando
                Eles beijam a bandeira
              Pra volta no outro ano.


Cantigas da Festa de São Benedito - Senhor Luiz

Benedito Santo oi,
Oi, Santo de Alegria
Vamos adorá Benedito, ô,lê,lê.
Hoje é o vosso dia.

  Que Santo é aquele
Que vem no andor
           É São Benedito, ô, lê, lê.
   Com Nosso Senhor.

Que Santa é aquela
Que tá na charola
É São Benedito
Com Nossa Senhora.

Bandeiras

As moças que carregam as bandeiras, em número de sete, são chamadas “Bandeirolas” (bandeireiras), e apresentam-se na seguinte ordem:
Ø  Bandeira do Divino Espírito Santo;
Ø  Bandeira do Anjo da Guarda;
Ø  Bandeira de Nossa Senhora do Rosário;
Ø  Bandeira de São Benedito;
Ø  Bandeira de São Benedito do Menino Jesus;
Ø  Bandeira de São Benedito e Santo Antônio;
Ø  Bandeira de Santo Antônio;
As primeiras bandeiras, a do Divino Espírito Santo e a do Anjo da Guarda, são para protegerem os Congos durante o “REINADO”. A de Nossa Senhora do Rosário, porque foi ela quem inspirou os congos para dançarem, e desde o seu aparecimento é que começaram a surgir os diversos Ternos de Congos; e a de São Benedito porque é ele o protetor dos “pretos e do bloco”.

A Festa de São Benedito em Poços de Caldas


A pesquisadora Tita informou que “a primeira Festa de São Benedito que se tem documentado, data de 1904 e realizada no dia 13 de maio, já com os grupos culturais: Congada, Moçambique e Caiapó. Isto foi publicada na Revista Poços, que circulava na época.” Revista por ela consultada no Museu e já compilada pela Associação de Ternos de Congos e Caiapós. “A renda desta primeira festa”, continua Tita, “foi de 1:000$000 contos de  réis, depois utilizada para construir a capelinha inaugurada em 07 de maio de 1.905, fato este confirmado pelo livro tombo, da Basílica de Nossa Senhora da Saúde.  

São Benedito em Poços de Caldas

Em Poços de Caldas, a história da devoção ao Santo, segundo relatos de devotos e historiadores, inicia-se ao final do séc. XIX com a Festa de São Benedito. Segundo a Tita, em Poços, “tudo o que se sabe sobre o negro foi escrito pela Festa de São Benedito”.
Naquela época, os sesmeiros e seus familiares criavam porcos para servir à Corte e produziam uma agricultura de sobrevivência. Cidade de pequeno comércio e pequena indústria de doce e licores produzia para atender os banhistas ou turistas das águas sulfurosas. Chegaram em 1.886, os italianos para o trabalho nas fazendas, que se iniciavam na produção cafeeira, para o trabalho urbano de construção e também em chácaras.
Após a Abolição mudou-se para Poços os negros da vizinhança, sendo criados vários mocambos, inclusive um perigoso, na Rua Rio Grande do Sul chamado de Botafogo onde, quase semanalmente, havia tiroteio e morte. Poços também tinha muitos negros bons que festejavam São Benedito, como o Vicente Raimundo. Nessa época, final do séc. XIX chegou a Poços o “tio Herculano”, um preto originado de Amparo, que fundou e zelou a primitiva capelinha, como organizou o Culto a São Benedito. “Foi o tio Herculano que fez a primeira oferta e deixou uma chácara para o milagroso Santo e com sua venda (...) se pode iniciar a construção da atual Igreja em terreno doado pelo Coronel Agostinho. (Mourão: 1.952, 275)”.
Se por um lado temos o dado do historiador, por outro temos a narrativa popular da memória de “tia Geni” (Geni Siqueira). Simpática e grande colaboradora comunitária, é também presidente do bloco carnavalesco Sociedade Amigos do Casca (em homenagem ao seu filho Casca, jogador de futebol do Flamengo e que morreu repentinamente durante um jogo no campo de Futebol da Cascatinha), que diz a um grupo de pesquisadores em 1.991: “A congada de São Benedito foi fundada aqui e tinha um senhor, Herculano Mourão. Ele era negrão, então ele doou aquele terreno lá onde é a igreja de São Benedito e depois, já que tinha a igreja, tinha que ter a congada. Aí meu avô que chamava Justino e mais Joaquim Matias, que era primo do meu avô e o que hoje é bisavô das minhas crianças – José Balbino fundou uma congada de São Benedito, Congo de capa (Terno de Congos de São Benedito que representa a epopéia de Mouros e Cristãos, conhecidos como Carlos Magno e os Doze Pares de França). Capas azuis representam os espanhóis que são católicos. Capa vermelha representa os turcos. Então aí tem a Embaixada.
O grupo de pesquisadores registra: “Os nomes históricos da congada são Herculano de Araújo Cintra e Raimundo Mourão, ex-escravo da família de Mário Mourão e que foi casado com a mulata Zequinha, cujo filho casou-se com Lourdes (que mora em Belo Horizonte) irmã de Mercedes, guardiã da Bandeira e atual responsável pela saída do que resta do grupo. Mercedes é mãe de Ayrton Santana, o Mestre Bucha, que tinha um conjunto de samba com mulatas; é mestre de bateria da Escola de Samba SACIPÔ; mestre da banda do Colégio Municipal Dr. José Vargas de Souza”, também representa “Oliveiros”, personagem da congada”.
Todos citados por Geni são verdadeiros e reconhecidos na história da congada, como o Jaguanário, que foi Carlos Magno, irmão de “Moleque César”. É tia Geni quem afirma que “São Benedito surgiu aqui” (na Cascatinha).



Primeiro Registro Histórico (documento arquivado no Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas).


Jornal “Revista Poços”  
03 de abril de 1904
Os abaixo assinados festeiros do glorioso São Benedito, nesta localidade, têm a honra de avisar a todos os fiéis que a festa se realizará no dia 13 de maio vindouro constando de novenas com leilões de prendas, missa cantada e procissão solene.
Em todas as solenidades tocará a banda de música dirigida pelo professor Israel Breves dos Santos.
Esperam os abaixo assinados que a festa se realize na própria capela de S. Benedito.
Ao mesmo tempo os festeiros apelam para a generosidade deste bom povo, pedindo-lhes um obulu ou uma prenda para os respectivos leilões, a fim de que possa aquele Santo ser condignamente comemorado.
De S. Benedito esse mesmo povo receberá a devida recompensa.
Poços de Caldas, 24 de Março de 1904.
D. Cândida Augusta de Moraes
Virgílio Teixeira da Fonseca



Associação dos Congos e Caiapós de Poços de Caldas

A Associação de Congos e Caiapós de Poços de Caldas foi criada no dia dezesseis de outubro de dois mil e um (2001), numa reunião no Pálace Casino com a presença de representantes dos ternos de Congos de Poços de Caldas. A finalidade da Associação é de fortalecer e apoiar a Festa de São Benedito, nas suas tradições e obrigações de fé em primeiro lugar. O objetivo primeiro é de não deixar acabar a tradição dos congos e caiapós e apoiar todas as suas iniciativas. Nesta reunião estavam presentes os representantes dos seguintes ternos de congos: São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo, São Gerônimo e Santa Bárbara. Ficou definido o nome da instituição: Associação de Ternos de Congos e Caiapós de São Benedito de Poços de Caldas. A diretoria, por votação, ficou assim decidida: Presidente: Orlanda Conceição Silva; Vice-Presidente: Sebastião Geraldo Domingos; 1º Secretário: Alexandre da Fonseca; 2º Secretário: Zilma Maria da Costa Domingos; 1º Tesoureiro: Benedito Luiz da Costa; 2º Tesoureiro: Joaquim dos Santos Peregrino; Relações Públicas: Ailton Santana; Conselho Fiscal – Titulares: Antônio Carlos Valente, Maria Aparecida do Prado e Manoel de Paula; Conselho Fiscal – Suplente José Pedro Ramos, Luiz Siqueira e Ladir Augusto de Oliveira; Conselho de Cultura – Margarida Maria Abrão Valente, Ailton Santana, Alexandre da Fonseca, Gildásio Novaes Ferreira Júnior, João do Carmo Peregrino Filho e indicados: Maria José de Souza, Roberto de Fátima Teresiano e José Henrique.
O endereço: Rua Sebastião Tomaz Oliveira, 325 – Santa Rosália.
Dona Orlanda, Capitã de Congo e Presidente da Associação, defende o pensamento sobre a importância da “união dos capitães de congos” e que, tudo o que tem em Poços, “tem a mão do negro e da negra” e que “não podemos nos esquecer disto, pois cada igreja de Poços foi construída também com a ajuda das Festas de São Benedito”. Os capitães Ditinho e o falecido Carmo, a bandeireira Dona Mercedes e o chefe dos caiapós, “Seu Pedro”, também falam que “devemos continuar a lutar pelas nossas raízes”.
A Associação é fruto de um trabalho de mais de quatro anos de intenso diálogo, coordenado e incentivado desde o início pelo professor Alexandre e o Mestre Bucha. É um trabalho árduo que vem desde outubro de 2000 até agora e, muitas foram as negociações e que, “se temos reis e rainhas em nossos congados, então temos uma corte”, como já disse Dona Orlanda. Desta forma, quando em março de 2001, pela primeira vez na história, um prefeito (Paulo Tadeu), recebeu em seu gabinete, os reis, rainhas, capitães e capitã de Congos e chefe dos Caiapós, naquele momento houve um acordo de cortes, de reinos, como no passado.
Foi daí que conseguimos uma negociação histórica com a Diocese de Guaxupé, em reunião realizada no altar da Igreja de São Benedito com o grande apoio do Padre Graciano e do Bispo D. José (e do Padre José Ricardo), ao instituirmos, na missa das dez horas da manhã do dia 13 de maio, a MISSA CONGA. Isto é um fato histórico, pois o Padre Graciano, naquela reunião com os capitães, capitã de Congos e chefe de Caiapós, após ouvir a nossa história, como representante do Senhor Bispo que era naquele momento, ressaltou a importância da Igreja reconhecer os Congos e Caiapós como manifestação cultural e religiosa, fato este lavrado no livro de atas da Associação.
São muitas as histórias e fatos acontecidos ao longo do tempo e, a Associação, em 2004, comemora os 100 anos de registros históricos da nossa Festa, embora saibam que ela é muito mais antiga que essa data, porém, com a compilação de dados feitos pela Zilma, a Lílian e o Alexandre, conseguem através de textos, do Dr. Mário Mourão, de Dona Nilza, da Tita e de jornais no Museu Histórico e Geográfico, reconhecer essa data, montando assim, um grande banco de dados que, acreditamos poder estar disponibilizado a toda à comunidade poços caldense e região.