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30/06/2011

Associação dos Congos e Caiapós de Poços de Caldas

A Associação de Congos e Caiapós de Poços de Caldas foi criada no dia dezesseis de outubro de dois mil e um (2001), numa reunião no Pálace Casino com a presença de representantes dos ternos de Congos de Poços de Caldas. A finalidade da Associação é de fortalecer e apoiar a Festa de São Benedito, nas suas tradições e obrigações de fé em primeiro lugar. O objetivo primeiro é de não deixar acabar a tradição dos congos e caiapós e apoiar todas as suas iniciativas. Nesta reunião estavam presentes os representantes dos seguintes ternos de congos: São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo, São Gerônimo e Santa Bárbara. Ficou definido o nome da instituição: Associação de Ternos de Congos e Caiapós de São Benedito de Poços de Caldas. A diretoria, por votação, ficou assim decidida: Presidente: Orlanda Conceição Silva; Vice-Presidente: Sebastião Geraldo Domingos; 1º Secretário: Alexandre da Fonseca; 2º Secretário: Zilma Maria da Costa Domingos; 1º Tesoureiro: Benedito Luiz da Costa; 2º Tesoureiro: Joaquim dos Santos Peregrino; Relações Públicas: Ailton Santana; Conselho Fiscal – Titulares: Antônio Carlos Valente, Maria Aparecida do Prado e Manoel de Paula; Conselho Fiscal – Suplente José Pedro Ramos, Luiz Siqueira e Ladir Augusto de Oliveira; Conselho de Cultura – Margarida Maria Abrão Valente, Ailton Santana, Alexandre da Fonseca, Gildásio Novaes Ferreira Júnior, João do Carmo Peregrino Filho e indicados: Maria José de Souza, Roberto de Fátima Teresiano e José Henrique.
O endereço: Rua Sebastião Tomaz Oliveira, 325 – Santa Rosália.
Dona Orlanda, Capitã de Congo e Presidente da Associação, defende o pensamento sobre a importância da “união dos capitães de congos” e que, tudo o que tem em Poços, “tem a mão do negro e da negra” e que “não podemos nos esquecer disto, pois cada igreja de Poços foi construída também com a ajuda das Festas de São Benedito”. Os capitães Ditinho e o falecido Carmo, a bandeireira Dona Mercedes e o chefe dos caiapós, “Seu Pedro”, também falam que “devemos continuar a lutar pelas nossas raízes”.
A Associação é fruto de um trabalho de mais de quatro anos de intenso diálogo, coordenado e incentivado desde o início pelo professor Alexandre e o Mestre Bucha. É um trabalho árduo que vem desde outubro de 2000 até agora e, muitas foram as negociações e que, “se temos reis e rainhas em nossos congados, então temos uma corte”, como já disse Dona Orlanda. Desta forma, quando em março de 2001, pela primeira vez na história, um prefeito (Paulo Tadeu), recebeu em seu gabinete, os reis, rainhas, capitães e capitã de Congos e chefe dos Caiapós, naquele momento houve um acordo de cortes, de reinos, como no passado.
Foi daí que conseguimos uma negociação histórica com a Diocese de Guaxupé, em reunião realizada no altar da Igreja de São Benedito com o grande apoio do Padre Graciano e do Bispo D. José (e do Padre José Ricardo), ao instituirmos, na missa das dez horas da manhã do dia 13 de maio, a MISSA CONGA. Isto é um fato histórico, pois o Padre Graciano, naquela reunião com os capitães, capitã de Congos e chefe de Caiapós, após ouvir a nossa história, como representante do Senhor Bispo que era naquele momento, ressaltou a importância da Igreja reconhecer os Congos e Caiapós como manifestação cultural e religiosa, fato este lavrado no livro de atas da Associação.
São muitas as histórias e fatos acontecidos ao longo do tempo e, a Associação, em 2004, comemora os 100 anos de registros históricos da nossa Festa, embora saibam que ela é muito mais antiga que essa data, porém, com a compilação de dados feitos pela Zilma, a Lílian e o Alexandre, conseguem através de textos, do Dr. Mário Mourão, de Dona Nilza, da Tita e de jornais no Museu Histórico e Geográfico, reconhecer essa data, montando assim, um grande banco de dados que, acreditamos poder estar disponibilizado a toda à comunidade poços caldense e região.

03/06/2011

Caiapós visitam CAIC






No último dia 27 de maio a escola CAIC recebeu a visita dos Caiapós. A visita aconteceu em razão da participação da escola dentro do Projeto Cultura Popular desenvolvido pelas Bibliotecas Públicas Municipais.Na oportunidade,os alunos do 6° ano de aceleração,encenaram o "Roubo da Bugrinha", que foi assistido por todos os alunos da escola CAIC.
Aproveitamos o ensejo para agradecer a presença do Grupo de Caiapós, especialmente o Sr. Pedro.


18/05/2011

Histórias sobre Festa de São Benedito, Congadas e Caiapós

Conversa do “Mestre Bucha” com os alunos do 4º e 5º anos da Escola Municipal Alvino Hosken de Oliveira).


A Escola Municipal Alvino Hosken de Oliveira recebeu no dia 03 de maio de 2011 a visita do Embaixador de Congo do Terno de Congo São Benedito, “Mestre Bucha”, como é conhecido, para fazer uma palestra sobre a Congada, para os alunos do 4º e 5º anos. O objetivo da palestra é a coleta de materiais para a realização do Projeto Cultura Popular 2011, uma realização das Bibliotecas Públicas Municipais de Poços de Caldas em parceria com algumas Escolas Municipais.

Foi feita uma explanação sobre a evolução da congada em Poços de Caldas, vestimentas e sobre o preconceito sofrido pelos escravos e índios na época, o que ocasionou uma união maior entre eles.
Uma das curiosidades das crianças é a respeito da participação da “Bugrinha” nos grupos de Caiapós.  Segundo o Mestre Bucha a bugrinha representa o “Curumim” (criança indígena) que era retirada de sua tribo pelos brancos para ajudar nos trabalhos domésticos. Ele aproveitou para ensinar o bailado dos congos e dos caiapós para os alunos.
No final da palestra ele deixou para a Biblioteca Professor Júlio Bonazzi material para pesquisa como: fotos e textos, o que poderá ser usado pela comunidade em geral.

28/03/2011

A Lenda dos Caiapós




O Caiapó é um folguedo popular, que relembra as tradições indígenas e aparece em Poços de Caldas na Festa de São Benedito. Seus dançadores se apresentam vestidos com uma saia comprida feita de capim membeca, blusa de pano coberta de penas de galinha e um cocar colorido na cabeça. Eles pintam o corpo de azul e vermelho, enfeitam tornozelos e pulsos. Levam na mão arcos, flechas e espadas de pau.

Suas danças, apesar do ritmo marcado pelos chocalhos, caixas e reco-recos, não apresentam canto, pois eles alegam que sendo indígenas, só poderiam cantar em tupi-guarani e não seriam entendidos. Como não falam o português, preferem ficar mudos. Seus principais personagens são: o "Chefe" ou "Cacique", os "Flecheiros", os "Violeiros", o "Meleiro", que simula tirar o mel do solo ou das árvores e as "Bugrinhas", (caiapozinhos) que, apesar de protegidas pelos flecheiros, são raptadas por pessoas do povo. Quando as devolvem, os raptores dão algum dinheiro para o grupo.

Esse bailado existe desde o início da colonização brasileira e sobre sua origem de dançadores poços-caldenses contam a seguinte lenda:

Na época do Brasil Colônia havia diversas missões jesuíticas espalhadas pelo país, com a finalidade de catequisar os índios. Na Capitania de São Paulo um dos padres da Companhia de Jesus sofria de um mal cutâneo incurável. Apesar de todos os recursos da medicina de então, seu corpo estava coberto de chagas. Receoso de contaminar seus companheiros ele resolveu abandonar o convívio dos irmão de congregação e embrenhou-se na selva, infestada de antropófagos.

Tinha andado apenas alguns quilômetros, quando se viu cercado de temíveis bugres, que o arrastaram através da mata, levando-o para uma taba nativa. Quando a comitiva chegou, houve grande alvoroço, pois os silvícolas acreditavam que a carne do padre era santa e se eles a comessem iriam para o céu. Amarraram então o pobre religioso numa estaca e chamaram o cacique. Este, após examinar o prisioneiro, mandou chamar o feiticeiro, que surgiu estranhamente vestido e disse algo ao chefe, apontando para o mato.

Apavorado, pensando que sua hora havia chegado, o sacerdote viu os índigenas cavarem um profundo buraco, onde colocaram lenha seca e atearam fogo, cobrindo depois a cova com grades de madeira e folhas. Contudo, ele só foi levado para lá no dia seguinte, quando o despiram e o fizeram descer na cavidade. Os naturais da terra cobriram a boca da cova com galhos de árvores, de modo que o local parecia uma fornalha. Após permanecer ali várias horas, quando seu corpo estava totalmente coberto de suor, viu que o cacique lhe lançara um cipó e fazia sinal para que ele subisse. Ao chegar lá em cima, dois índios o agarraram e jogaram-no dentro do rio, mergulhando-o umas três vezes na água fria. Levaram-no em seguida para uma palhoça e o deitaram sobre esteiras, cobrindo-o com penas de aves.

Cansado devido ao tratamento e às emoções vividas durante o dia, o padre dormiu profundamente e acordou bem disposto e com muita fome. Qual não foi sua surpresa, quando lhe trouxeram enorme variedade de comidas típicas, que ele engoliu num instante, com visível satisfação, agradecendo depois as indígenas, que o observavam. Comunicando-se por gestos soube que os bugres tencionavam devorá-lo, mas como estava gravemente doente, resolveram curá-lo primeiro. No entanto, simpatizaram com ele e decidiram libertá-lo.

Após ter repetido algumas vezes o tratamento da fornalha, o jesuíta pediu aos índios que pertenciam à tribo dos Caiapós, para voltar à missão e eles o largaram perto da aldeia. Grande foi a alegria de seus companheiros ao verem-no cheio de saúde e rejuvenescido, quando pensavam que já estivesse morto. Em sinal de agradecimento, os padres enviaram emissários ao cacique para convidá-lo a vir com seus homens no arraial, a fim de festejarem o acontecimento. Os gentios então dançaram na praça defronte a igreja e se irmanaram com os inacianos, dando graças a Deus. Dali por diante, sempre que havia uma festa religiosa, os indígenas eram convidados a dançar e devido à denominação da tribo, a folgança foi batizada com o título de Caiapó.

Desde aquela ocasião o bailado se espalhou pelo Brasil e, apesar das transformações sofridas durante os séculos, o Caiapó continua a ser dançado em várias partes do território nacional, homenageando os padroeiros das cidades onde se localizavam os grupos. Assim o folguedo aparece na Festa de São Benedito para reverenciar o humilde santo, que pelas suas virtudes conquistou a glória dos altares.

MEGALE, Nilza Botelho. Memórias Históricas de Poços de Caldas, Gráfica Sulminas, Poços de Caldas, 2002.