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18/05/2011

Histórias sobre Festa de São Benedito, Congadas e Caiapós

Conversa do “Mestre Bucha” com os alunos do 4º e 5º anos da Escola Municipal Alvino Hosken de Oliveira).


A Escola Municipal Alvino Hosken de Oliveira recebeu no dia 03 de maio de 2011 a visita do Embaixador de Congo do Terno de Congo São Benedito, “Mestre Bucha”, como é conhecido, para fazer uma palestra sobre a Congada, para os alunos do 4º e 5º anos. O objetivo da palestra é a coleta de materiais para a realização do Projeto Cultura Popular 2011, uma realização das Bibliotecas Públicas Municipais de Poços de Caldas em parceria com algumas Escolas Municipais.

Foi feita uma explanação sobre a evolução da congada em Poços de Caldas, vestimentas e sobre o preconceito sofrido pelos escravos e índios na época, o que ocasionou uma união maior entre eles.
Uma das curiosidades das crianças é a respeito da participação da “Bugrinha” nos grupos de Caiapós.  Segundo o Mestre Bucha a bugrinha representa o “Curumim” (criança indígena) que era retirada de sua tribo pelos brancos para ajudar nos trabalhos domésticos. Ele aproveitou para ensinar o bailado dos congos e dos caiapós para os alunos.
No final da palestra ele deixou para a Biblioteca Professor Júlio Bonazzi material para pesquisa como: fotos e textos, o que poderá ser usado pela comunidade em geral.

14/04/2011

BIBLIOTECA PÚBLICA PROFESSOR JÚLIO BONAZZI

Fachada

A Biblioteca Pública Professor Júlio Bonazzi também conhecida como “Biblioteca do Monjolinho” foi criada através da Lei nº 2.439, com publicação no Jornal do Município nº 243 (24/08/1976). Conta com uma área construída de 165, 65 m², numa praça de 1.428, 45 m² a sendo referência nas comunidades dos Bairros: Cascatinha, Santa Rita, Monjolinho, Jardim São Paulo, Aparecida e Santo André.

Juntamente com a Fonte Monjolinho compõe o Complexo Cultural Monjolinho.

Com mais de 1200 (mil e duzentos) leitores devidamente cadastrados e recebendo uma média de 320 (trezentos e oitenta) frequentadores mensais. Estes são divididos entre os que fazem pesquisas escolares, e os que fazem empréstimos, uma vez que aqueles que acessam a Internet gratuita, disponibilizada desde o final de 2010, somam uma média de 330 acessos mensais.

Com uma construção antiga, pois foi construída na década de 70, porém com uma arquitetura moderna, hoje o prédio necessita de reforma que revitalize sua arquitetura, corrija alguns problemas gerados pelo desgaste temporal e promova a acessibilidade, tão necessária numa sociedade inclusiva. Isto poderá ser concretizado com a aprovação de um projeto apresentado ao Ministério da Cultura, através do - Edital Mais Cultura de Apoio a Bibliotecas Públicas 2010, estando o Município apenas aguardando o posicionamento do Ministério da Cultura (MINC) para proceder à obra.

Regularmente são desenvolvidas ações de incentivo à leitura, em parceria com a Escola Dr.Alvino Hosken de Oliveira como o Projeto “Ler o Mundo” (atores da Cia de Teatro Máscaras Vivas), Leitura Compartilhada e Hora do Conto. Em 2009 também foi desenvolvido na biblioteca uma série de atividades culturais como: Férias na Biblioteca, com apresentações de filmes para as crianças, apresentação dos músicos do Festival Música nas Montanhas com o musical Pedro e o lobo, Sarau em homenagem ao Poeta Patativa do Assaré - Literatura de cordel e Exposições literárias.


Musical Pedro e o lobo

Horário de atendimento:
De 08h às 18h – De segunda a sexta.
Localização
Praça: Tiradentes, 617
Monjolinho - CEP: 37701-152
Responsável: Maria das Dores T. Nascimento (Dora)

28/03/2011

A Lenda dos Caiapós




O Caiapó é um folguedo popular, que relembra as tradições indígenas e aparece em Poços de Caldas na Festa de São Benedito. Seus dançadores se apresentam vestidos com uma saia comprida feita de capim membeca, blusa de pano coberta de penas de galinha e um cocar colorido na cabeça. Eles pintam o corpo de azul e vermelho, enfeitam tornozelos e pulsos. Levam na mão arcos, flechas e espadas de pau.

Suas danças, apesar do ritmo marcado pelos chocalhos, caixas e reco-recos, não apresentam canto, pois eles alegam que sendo indígenas, só poderiam cantar em tupi-guarani e não seriam entendidos. Como não falam o português, preferem ficar mudos. Seus principais personagens são: o "Chefe" ou "Cacique", os "Flecheiros", os "Violeiros", o "Meleiro", que simula tirar o mel do solo ou das árvores e as "Bugrinhas", (caiapozinhos) que, apesar de protegidas pelos flecheiros, são raptadas por pessoas do povo. Quando as devolvem, os raptores dão algum dinheiro para o grupo.

Esse bailado existe desde o início da colonização brasileira e sobre sua origem de dançadores poços-caldenses contam a seguinte lenda:

Na época do Brasil Colônia havia diversas missões jesuíticas espalhadas pelo país, com a finalidade de catequisar os índios. Na Capitania de São Paulo um dos padres da Companhia de Jesus sofria de um mal cutâneo incurável. Apesar de todos os recursos da medicina de então, seu corpo estava coberto de chagas. Receoso de contaminar seus companheiros ele resolveu abandonar o convívio dos irmão de congregação e embrenhou-se na selva, infestada de antropófagos.

Tinha andado apenas alguns quilômetros, quando se viu cercado de temíveis bugres, que o arrastaram através da mata, levando-o para uma taba nativa. Quando a comitiva chegou, houve grande alvoroço, pois os silvícolas acreditavam que a carne do padre era santa e se eles a comessem iriam para o céu. Amarraram então o pobre religioso numa estaca e chamaram o cacique. Este, após examinar o prisioneiro, mandou chamar o feiticeiro, que surgiu estranhamente vestido e disse algo ao chefe, apontando para o mato.

Apavorado, pensando que sua hora havia chegado, o sacerdote viu os índigenas cavarem um profundo buraco, onde colocaram lenha seca e atearam fogo, cobrindo depois a cova com grades de madeira e folhas. Contudo, ele só foi levado para lá no dia seguinte, quando o despiram e o fizeram descer na cavidade. Os naturais da terra cobriram a boca da cova com galhos de árvores, de modo que o local parecia uma fornalha. Após permanecer ali várias horas, quando seu corpo estava totalmente coberto de suor, viu que o cacique lhe lançara um cipó e fazia sinal para que ele subisse. Ao chegar lá em cima, dois índios o agarraram e jogaram-no dentro do rio, mergulhando-o umas três vezes na água fria. Levaram-no em seguida para uma palhoça e o deitaram sobre esteiras, cobrindo-o com penas de aves.

Cansado devido ao tratamento e às emoções vividas durante o dia, o padre dormiu profundamente e acordou bem disposto e com muita fome. Qual não foi sua surpresa, quando lhe trouxeram enorme variedade de comidas típicas, que ele engoliu num instante, com visível satisfação, agradecendo depois as indígenas, que o observavam. Comunicando-se por gestos soube que os bugres tencionavam devorá-lo, mas como estava gravemente doente, resolveram curá-lo primeiro. No entanto, simpatizaram com ele e decidiram libertá-lo.

Após ter repetido algumas vezes o tratamento da fornalha, o jesuíta pediu aos índios que pertenciam à tribo dos Caiapós, para voltar à missão e eles o largaram perto da aldeia. Grande foi a alegria de seus companheiros ao verem-no cheio de saúde e rejuvenescido, quando pensavam que já estivesse morto. Em sinal de agradecimento, os padres enviaram emissários ao cacique para convidá-lo a vir com seus homens no arraial, a fim de festejarem o acontecimento. Os gentios então dançaram na praça defronte a igreja e se irmanaram com os inacianos, dando graças a Deus. Dali por diante, sempre que havia uma festa religiosa, os indígenas eram convidados a dançar e devido à denominação da tribo, a folgança foi batizada com o título de Caiapó.

Desde aquela ocasião o bailado se espalhou pelo Brasil e, apesar das transformações sofridas durante os séculos, o Caiapó continua a ser dançado em várias partes do território nacional, homenageando os padroeiros das cidades onde se localizavam os grupos. Assim o folguedo aparece na Festa de São Benedito para reverenciar o humilde santo, que pelas suas virtudes conquistou a glória dos altares.

MEGALE, Nilza Botelho. Memórias Históricas de Poços de Caldas, Gráfica Sulminas, Poços de Caldas, 2002.