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30/06/2011

Primeiro Registro Histórico (documento arquivado no Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas).


Jornal “Revista Poços”  
03 de abril de 1904
Os abaixo assinados festeiros do glorioso São Benedito, nesta localidade, têm a honra de avisar a todos os fiéis que a festa se realizará no dia 13 de maio vindouro constando de novenas com leilões de prendas, missa cantada e procissão solene.
Em todas as solenidades tocará a banda de música dirigida pelo professor Israel Breves dos Santos.
Esperam os abaixo assinados que a festa se realize na própria capela de S. Benedito.
Ao mesmo tempo os festeiros apelam para a generosidade deste bom povo, pedindo-lhes um obulu ou uma prenda para os respectivos leilões, a fim de que possa aquele Santo ser condignamente comemorado.
De S. Benedito esse mesmo povo receberá a devida recompensa.
Poços de Caldas, 24 de Março de 1904.
D. Cândida Augusta de Moraes
Virgílio Teixeira da Fonseca



28/04/2011

Programação da Festa de São Benedito 2011

Dia 3 de maio – Dia de Santa Cruz
Horário: 19h – Abertura da Capela de Santa Cruz com todos os Capitães de Congo.
Horário: 20h – Cortejo com os Mastros pelos Congados (Rua Barão do Campo Místico, Rua Junqueiras, Praça Pedro Sanches, chegando à Igreja de Santo Antônio na Rua São Paulo)
Horário: 20h e 30min – Retirada da Imagem de Nossa Senhora do Rosário.
Horário: 21 h – Procissão com andor de Nossa Senhora do Rosário e os Mastros Sagrados (saída da Igreja de Santo Antônio, pela rua São Paulo com chegada no pátio da Igreja de São Benedito)
Horário: 21h e 30min – Chegada dos Congos ao pátio de São Benedito, levantamento dos Mastros Sagrados com queima de fogos. Entronização da Imagem de Nossa Senhora do Rosário na Igreja de São Benedito pelos Capitães de Congo, seguida de benção aos devotos de São Benedito.
Dia 11 de maio
Horário: 15h
– Retirada dos Caiapós do mato pelo Terno de São Benedito com a presença de todos os Ternos de Congos, na Fonte dos Amores.
Horário: 15h e 30min – Caminhada pela cidade, conduzindo os Caiapós até a Igreja de São Benedito na Praça Coronel Agostinho Junqueira.
Horário: 18h – Celebração Eucarística na Igreja de São Domingos com a presença de todos os ternos de Congos e Caiapós.
Dias: 11 ao dia 13 de maio
Horário: 21 h
– Embaixada de Carlos Magno e os 12 pares de França pelo Terno de Congos de São Benedito, no pátio da Igreja de São Benedito.
Obs: Todos os dias da festa, durante o dia, os Ternos de Congos e Caiapós, fazem visitas às casas e  escolas de Poços de Caldas e cidades vizinhas que solicitam suas presenças. À noite realizam suas devoções na Igreja de São Benedito, das 20h até às 22h, bem como percorrem todo o entorno da Igreja de São Benedito.
Dia 13 de maio
Horário: 6h
– Alvorada Festiva com queima de fogos e repique de sinos da Igreja de São Benedito e de Nossa Senhora da Saúde (Basílica).
Horário: 10h – Missa Conga na Igreja de São Benedito com a participação de todos os Ternos de Congos e Caiapós.
Horário: das 12h às 15h, os Ternos de Congos e Caiapós fazem sua visita à Basílica de Nossa Senhora da Saúde, em memória e respeito, por ser ali o primeiro local onde havia a Capela de São Benedito. Também fazem visitas aos asilos, levando alegria e conforto àqueles que lá se encontram e que já participaram de congadas.
Horário: 16 h – Procissão solene com andores de São Benedito, seguido de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia pelas ruas das cidades
Roteiro da procissão: Rua São Paulo, Praça Pedro Sanches, Praça Major Luiz Loyola, Rua Junqueiras, Rua Assis Figueiredo, Rua Alagoas, Rua Santa Catarina, Rua Rio de Janeiro.
Horário: Missa de encerramento da Festa de São Benedito (missa campal), seguida de coroação de Nossa Senhora do Rosário com queima de fogos. Após a coroação, louvor dos Ternos de Congos e Caiapós à São Benedito dentro da Igreja até 22 horas.

29/03/2011

A Lenda da cabaça com o mel de Nossa Senhora




Narração de Lourdes Mourão
     Conta-se que no início do Brasil Colônia, vieram muitos missionários que se embrenharam na floresta virgem, para a catequização dos indígenas bravios e selvagens. Um deles encontrou uma grande tribo que vivia bem no centro do país, no meio de verdejantes matas, onde havia grande quantidade de caça e alimentos.
     Nos dias que por ali passou o piedoso missionário lhes falou sobre todas as maravilhas criadas por Deus, nosso Pai, salientando com grande devoção Nossa Senhora, a Virgem Maria, nossa Mãe. Passado algum tempo, esta região foi assolada por uma grande seca que dizimou a caça, secou os rios e lagos. As tribos morriam de fome e sede. Foi então, que um velho índio lembrando as palavras do missionário – que a Virgem Maria era nossa Mãe – saiu pelo mato ressequido, na esperança de encontrar algum alimento.
     Mergulhado nestes pensamentos já quase sem forças, notou uma luz sobre o tronco de uma velha e grossa árvore, de onde escorria um líquido amarelado como ouro. Ao se aproximar bebeu deste líquido, que era um delicioso mel e se sentiu revigorado, sem fome e sem sede. Encheu a cabaça que trazia e a levou cheia para sua tribo. Todos beberam e se sentiram novamente fortes e alimentados. Contando o pedido que fez a Nossa Senhora, os índios dançaram alegremente em agradecimento a Mãe de Deus, que os salvou.
     E é por isso que sempre um Caiapó traz nas mãos uma cabaça, símbolo do mel milagroso de Nossa Senhora e o distribui entre os companheiros caiapós, durante as danças de louvor à Mãe de Deus, na Festa de São Benedito, em todos os 13 de maio.

28/03/2011

A Lenda dos Caiapós




O Caiapó é um folguedo popular, que relembra as tradições indígenas e aparece em Poços de Caldas na Festa de São Benedito. Seus dançadores se apresentam vestidos com uma saia comprida feita de capim membeca, blusa de pano coberta de penas de galinha e um cocar colorido na cabeça. Eles pintam o corpo de azul e vermelho, enfeitam tornozelos e pulsos. Levam na mão arcos, flechas e espadas de pau.

Suas danças, apesar do ritmo marcado pelos chocalhos, caixas e reco-recos, não apresentam canto, pois eles alegam que sendo indígenas, só poderiam cantar em tupi-guarani e não seriam entendidos. Como não falam o português, preferem ficar mudos. Seus principais personagens são: o "Chefe" ou "Cacique", os "Flecheiros", os "Violeiros", o "Meleiro", que simula tirar o mel do solo ou das árvores e as "Bugrinhas", (caiapozinhos) que, apesar de protegidas pelos flecheiros, são raptadas por pessoas do povo. Quando as devolvem, os raptores dão algum dinheiro para o grupo.

Esse bailado existe desde o início da colonização brasileira e sobre sua origem de dançadores poços-caldenses contam a seguinte lenda:

Na época do Brasil Colônia havia diversas missões jesuíticas espalhadas pelo país, com a finalidade de catequisar os índios. Na Capitania de São Paulo um dos padres da Companhia de Jesus sofria de um mal cutâneo incurável. Apesar de todos os recursos da medicina de então, seu corpo estava coberto de chagas. Receoso de contaminar seus companheiros ele resolveu abandonar o convívio dos irmão de congregação e embrenhou-se na selva, infestada de antropófagos.

Tinha andado apenas alguns quilômetros, quando se viu cercado de temíveis bugres, que o arrastaram através da mata, levando-o para uma taba nativa. Quando a comitiva chegou, houve grande alvoroço, pois os silvícolas acreditavam que a carne do padre era santa e se eles a comessem iriam para o céu. Amarraram então o pobre religioso numa estaca e chamaram o cacique. Este, após examinar o prisioneiro, mandou chamar o feiticeiro, que surgiu estranhamente vestido e disse algo ao chefe, apontando para o mato.

Apavorado, pensando que sua hora havia chegado, o sacerdote viu os índigenas cavarem um profundo buraco, onde colocaram lenha seca e atearam fogo, cobrindo depois a cova com grades de madeira e folhas. Contudo, ele só foi levado para lá no dia seguinte, quando o despiram e o fizeram descer na cavidade. Os naturais da terra cobriram a boca da cova com galhos de árvores, de modo que o local parecia uma fornalha. Após permanecer ali várias horas, quando seu corpo estava totalmente coberto de suor, viu que o cacique lhe lançara um cipó e fazia sinal para que ele subisse. Ao chegar lá em cima, dois índios o agarraram e jogaram-no dentro do rio, mergulhando-o umas três vezes na água fria. Levaram-no em seguida para uma palhoça e o deitaram sobre esteiras, cobrindo-o com penas de aves.

Cansado devido ao tratamento e às emoções vividas durante o dia, o padre dormiu profundamente e acordou bem disposto e com muita fome. Qual não foi sua surpresa, quando lhe trouxeram enorme variedade de comidas típicas, que ele engoliu num instante, com visível satisfação, agradecendo depois as indígenas, que o observavam. Comunicando-se por gestos soube que os bugres tencionavam devorá-lo, mas como estava gravemente doente, resolveram curá-lo primeiro. No entanto, simpatizaram com ele e decidiram libertá-lo.

Após ter repetido algumas vezes o tratamento da fornalha, o jesuíta pediu aos índios que pertenciam à tribo dos Caiapós, para voltar à missão e eles o largaram perto da aldeia. Grande foi a alegria de seus companheiros ao verem-no cheio de saúde e rejuvenescido, quando pensavam que já estivesse morto. Em sinal de agradecimento, os padres enviaram emissários ao cacique para convidá-lo a vir com seus homens no arraial, a fim de festejarem o acontecimento. Os gentios então dançaram na praça defronte a igreja e se irmanaram com os inacianos, dando graças a Deus. Dali por diante, sempre que havia uma festa religiosa, os indígenas eram convidados a dançar e devido à denominação da tribo, a folgança foi batizada com o título de Caiapó.

Desde aquela ocasião o bailado se espalhou pelo Brasil e, apesar das transformações sofridas durante os séculos, o Caiapó continua a ser dançado em várias partes do território nacional, homenageando os padroeiros das cidades onde se localizavam os grupos. Assim o folguedo aparece na Festa de São Benedito para reverenciar o humilde santo, que pelas suas virtudes conquistou a glória dos altares.

MEGALE, Nilza Botelho. Memórias Históricas de Poços de Caldas, Gráfica Sulminas, Poços de Caldas, 2002.